
Clovis Duarte foi sem dúvida um grande comunicador gaúcho, além, de outros adjetivos que deixarei para outras fontes comentarem. Mas, diante do fato e dos comentários que se seguiram à sua morte, resolvi escrever este artigo.
O sonho de qualquer pessoa que trabalha com mídia, ou da maioria delas, é estar visível na Rede Globo ou mesmo, no Grupo RBS, seja em jornais, rádios e/ou principalmente na TV. Não que as outras redes e pequenas emissoras não sejam boas e até são sim, talvez até melhores que a RBS. Entretanto, hoje, estar na Rede Global é sinal de vitória profissional. Será mesmo?
Já notarem que quando chega uma emissora de TV em qualquer bairro muitas já dizem “olha a Globo, vamos aparecer na Globo!”. Sei disso porque mesmo quando ia com minha enorme câmera gravar imagens em bairros de Viamão, ouvia isso. “Há, não é a Globo, é o SBT..” ou “É só a TV Pampa pessoal…”.
Talvez o grande trunfo da TV “Gaúcha” foi ter a sorte de ter se aliado a Rede Globo e não à Tupy ou outra qualquer. Mesmo reconhecendo os méritos, inteligência e tudo mais de seu fundador, o Grupo RBS na certa não estaria onde está hoje.
Tanto é verdade que, talvez por não ser realmente mais uma TV gaúcha, seu nome atualmente é apenas RBS TV. Algo frio, três letras apenas apesar é claro, de alguns comunicadores ainda tentam mostrar uma tênue imagem do que era a verdadeira TV Gaúcha dos anos 60/70. Hoje, a RBS TV vive e se obriga a ter uma programação comandada de fora do Estado, do Rio de Janeiro. As novelas mostram coisas que não existem aqui, uma imagem de um país completamente surreal. Qualquer programa com pessoas gaúchas tem horários, digamos, não tão nobres. Será que não temos nosso valor? Será que somos mais burros que o Faustão, Luciano Hulk e tantos outros?
Se por um lado isso é bom, pois temos uma das maiores redes da América Latina dentro do nosso Estado, gerando é claro empregos com muitos jornais, revistas, sites, emissoras de rádios, TVs e tudo mais, isso de alguma forma, aceitem ou não, vai destruindo a verdadeira cultura local. E isto, consciente ou não, intenção da Matriz, ou seja, fazer tudo parecer uma a coisa apenas, a verdadeira Aldeia Global. Tanto que a mesma entoação, a mesma maneira de apresentar os telejornais é idêntico aos apresentadores de outros estados. A mesma luz, a mesma “decoração”, o modo de segurar o papel na mão etc.
E esta idéia não é nova, muito menos da Globo. Isso vem de países que querem levar sua imagem e seu modo de vida ao resto do planeta, como os EUA principalmente que a anos nos enviam filmes, musicas, livros, revistas e jornais. Era comum nos anos 60, por exemplo, alguns jovens terem pavor da musica brasileira como se fosse algo feio, “brega” etc. Por outro lado, era chique comprarem a preço de ouro LPs de grupos estrangeiros, que nem sabiam o que estavam falando. Adoravam Beatles, Stones, Elvis e tantos outros. Não que não fossem bons estes artistas mas, nós também tínhamos excelentes músicos e bandas com o único “defeito” de serem brasileiros. Muitos até optaram em mudar o ritmo para ficarem parecidos com os gringos pois as gravadoras poderosas também não eram nossas. E até hoje não temos um rock tipicamente nacional. Talvez a coisa estaria pior não fossem leis obrigando as emissoras de radio tocarem um certo percentual de musicas brasileiras na sua programação, o que era entendido por muitos “intelectuais” da época como “Ditadura Musical”.
Mas voltando a “nossa” TV, tudo bem que ainda temos programas tradicionalistas mas falta muito ainda. O alto escalão da RBS se acovardou e se acomodou com rios de dinheiro entrando fácil, sem ter que pensar muito e até hoje não temos novelas locais, nem mesmo os bons programas locais de auditório como tínhamos nos anos 60/70, que faziam varias famílias se juntarem para assistirem no mesmo aparelho de TV. Hoje poucos lembram do Show do Gordo aos domingos seguido das lutas no Araújo Viana? Claro, é bem mais fácil e barato retransmitir o programa do Faustão ou outro apresentador qualquer.
A onde quero chegar com esse desabafo? Ora, todos sabem que Clovis Duarte começou na TV Gaúcha e depois foi para a TV Difusora (Hoje Bandeirantes), depois para a Guaíba e mais recentemente para a TV Pampa. Alias, quero dar meus parabéns a Rede Pampa de Televisão por lutar tanto, tentar fazer o que as outras emissoras não tem coragem de fazer.
Pergunto: Será que as Faculdades de Comunicação não conseguem formar gente de talento? Será que não temos criatividade? Porque não dão espaço para grandes homens e mulheres de mídia de nossa terra para que tenham seus programas, que falem a nossa língua gaúcha? Porque não fazem novelas, series, filmes? Não faz mau que sejam toscos, baratos e com paredes de papelão como no seriado do Chaves. Quando os jovens começarem a ver que também somos capazes, vão dar mais valor a nossa terra e não vão sonhar em ir embora.
Depois, somente quando eles morrem é que dizem com cara de vitima “… Ele trabalhava atualmente na TV Pampa…”. Acreditem, as grandes redes de TV é que estão destruindo nossa cultura local. É preciso mais investimento em nossa gente, acreditar que o que somos e o que fizemos tem valor. É preciso das mais espaço ao Rio Grande na TV, nós temos condições. Apesar da morte de Clovis Duarte, aAinda temos!
0 comentários:
Postar um comentário